
As origens do Fórum nos remontam aos anos 80, quando nasceu a Campanha Nacional pela Reforma Agrária coordenada pelo Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Socioeconômicas), e que, desde então, já aglutinava as diferentes entidades de luta pela terra no Brasil. A Campanha teve um papel importante no contexto da pressão pela elaboração do Plano Nacional de Reforma Agrária no Governo Sarney, quando do processo de elaboração da Constituição de 1988 no tocante ao capítulo da reforma agrária. A este processo somou-se, no início dos anos 90, o Movimento da Ação da Cidadania de Combate à Fome e na Defesa da Vida, que colocou na pauta política do país a discussão sobre emprego, trabalho, renda, meio ambiente e reforma agrária.
Nesse contexto, em 1994, são retomados os esforços de articulação social e política sobre a denominação de um Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo – FNRA. A entidade contava inicialmente com uma Coordenação Executiva composta pelo CIMI (Conselho Indigenista Missionário), Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), CPT (Comissão Pastoral da Terra), INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos), MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e CÁRITAS (Cáritas Brasileira).
Após os dois primeiros anos de existência, o Fórum assumiu duas frentes de atuação: a da coordenação executiva e a das plenárias do Fórum.
Desde que foi criado, o FNRA vem desenvolvendo uma série de ações importantes que objetivam uma maior articulação da sociedade civil na luta pela reforma agrária no Brasil:
- Mobilizações pela Reforma Agrária - apoio às manifestações pela reforma agrária que ocorrem anualmente em datas importantes para o trabalhador rural, por exemplo: Dia internacional da Mulher (8 de março), Dia Internacional da Luta Camponesa (17 de abril); Grito da Terra Brasil (que ocorre normalmente em maio/junho); Jornada Nacional da Agricultura Familiar e pela Reforma Agrária, (FETRAF-Brasil), (normalmente no mês de abril); Semana de Mobilização Nacional do Fórum em homenagem ao Dia do Trabalhador Rural (25 de julho); Grito dos Excluídos (7 de setembro); Dia Mundial dos Direitos Humanos (10 de dezembro).
- Ações contra a Violência e Impunidade no Campo – elaboração de dossiês com listagem de vítimas da violência, andamento dos processos e cobrança de apuração dos culpados; pressões junto ao Supremo Tribunal Federal; audiência com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Apoio e mobilização junto a CPT para o lançamento anual do relatório dos conflitos no campo pela pose da terra, água e etc
- Ações pela Reforma Agrária e Meio Ambiente - a partir de 1998, o Fórum buscou estabelecer alguns elementos de consenso com as entidades ambientalistas. E, em novembro de 1999, por intermédio de um seminário nacional sobre a temática, criou um diálogo mais sistemático com as mesmas, visando adequar a reforma agrária e o meio ambiente; realizou em 2004 uma Conferência Nacional sobre Terra e Água, Democracia e Desenvolvimento Sustentável.
- Campanha Global pela Reforma Agrária - a Campanha Global é uma iniciativa que vem sendo desenvolvida por iniciativa de entidades parceiras internacionais, Fian (Rede de Informação e Ação em Prol do Direito à Alimentação) e Via Campesina, visando desencadear uma ação de conscientização internacional sobre a necessidade de uma efetiva reforma agrária no Brasil para garantir emprego e alimentação para milhões de famílias brasileiras. A Campanha foi lançada em 17 de abril de 1998.
Em 2007, após termos realizado varias plenárias do fórum de reflexão do estágio político que as organizações do campo passam em nosso país e tendo em vista a grave crise no meio rural brasileiro, onde o agronegócio vem tomando conta das principais terras, o Fórum deliberou resgatar e implementar a Campanha pelo limite da propriedade da terra: Em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar.
Essas ações, entre outras, demonstram que o esforço empreendido pelo Fórum no sentido do desafio de buscar articular entidades com toda sua diversidade, tem sido amplamente positivo. Quanto mais articulação, maior a sinergia e força para promover a reforma agrária num contexto crescentemente desfavorável de uma globalização de orientação neoliberal.
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